A Lomba da Achadinha começou a ser povoada no último quartel século XV, quando o então 3º Capitão do Donatário, D. Manuel Gonçalves da Câmara doou, segundo a antiga lei das sesmarias, a Fernão Alvares terras para desbravar, cultivar, plantar vinha e pomar, erguer casa e curral. Trouxe consigo escravos e criados, e passados sete anos foi a Viseu buscar a mulher e filhos para aqui viverem, convidando outras pessoas para se instalarem na terra. O primeiro local de culto terá sido edificado, segundo a toponímia local, no largo onde esteve a Cruz, padrão da 1ª Missão, sendo presumivelmente feita de paredes de taipa (barro amassado) e teto de colmo (palha), como as casas de então, aí existindo, até meados do século passado, uma cruz esculpida em pedra na parede do caminho, removida quando o mesmo foi alargado para a atual largura da Rua Direita.
A primeira ermida já estava fundada em 1529, onde está a atual igreja, mandada erguer por Estêvão Coutinho e sua mulher Catarina Afonso, que doam 31 alqueires de terra para Passal e rendimento da igreja. Já então a Achada possuía um cura-capelão, mas padres mendicantes percorriam também a Ilha, prestando assistência religiosa às populações.
Igreja Matriz, primeiro, só existia em Vila Franca do Campo, sufragânea de todas as igrejas de S. Miguel, dependente do Prior do Convento de Tomar, sede da Ordem de Cristo, que detinha o poder militar, civil e espiritual sobre os Açores, desde 14547.
Quando D. Manuel, como Governador e Administrador Perpétuo desta Ordem, subiu ao trono, por morte de seu primo D. João II, juntou o seu património ao da Coroa, promovendo a criação de Vilas e Igrejas Matrizes nas principais localidades da Ilha.
Desde então essas Igrejas passaram a ser mantidas pelo erário público, com as receitas dos dízimos, devidos à Ordem de Cristo, cobrados dela Fazenda Real.
No Nordeste cria-se no mesmo ano que a vila, em 1514, a Matriz do Orago de S.Jorge, num esforço de fortalecer o poder local em detrimento da centralidade que Vila Franca do Campo, e do capitão do donatário aí residente, que dominavam o conjunto da Ilha. Porém, a Achadinha, como a Achada, os Fenais da Ajuda e a Povoação, continuam nos séculos imediatos, dependentes daquela Vila, bem como da sua Ouvidoria.
Seu filho, D. João III o Piedoso, tendo em vista uma melhor assistência religiosa às populações do arquipélago, intercede junto do Papa para a criação do Bispado de Angra em 1543, mas só em 1551 os Açores passaram a ter um Bispo residente, D.Frei Jorge de Santiago. Este prelado reformista, depois de visitar as várias ilhas, reuniu Sínodo Episcopal em 1559, fazendo publicar as primeiras Constituições Episcopais em 1561, deslocando-se para o efeito a Lisboa, 10 e morrendo pouco depois do seu regresso aos Açores. A Paróquia da Achadinha, com vigário, nome que se dava aos párocos, é criada nas sequência daquelas resoluções.
Com a erupção do Pico do Sapateiro, atual Lagoa do Fogo, em 1563, e os terramotos que lhe seguiram, poucas casas ficaram de pé na Achadinha, arruinando igrejas de toda costa norte, os dias “ficavam mais escuros que a noite”, no dizer de Gaspar Frutuoso seu contemporâneo, fazendo-se então muitas procissões em toda a ilha, iniciando-se as romarias quaresmais caraterísticas de S. Miguel, ficando as terras da Achadinha cobertas de espessa camada de pedra-pomes e cinzas vulcânicas, introduzindo-se depois um sistema de lavagens das mesmas, canalizando água das ribeiras, para as escorrer e devolver a fertilidade aos solos, conservando-se na toponímia local o nome da terra de Água do Pau, onde as ribeiras do Lenho e do Cachaço se aproximam da nascente da Ribeirinha, aí existindo até há poucas décadas troncos escavados para levarem a água para a freguesia.